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Primeira Intervenção Institucional Psicopedagógica em Patos (Paraíba, Brasil)

Menina Estudante.Operação Resgate.2009Em 2009, conheci o Marciano Teixeira, um empreendedor social que tinha vivido anos de sua vida na Etiopia, onde fundou uma organização chamada Operação Resgate. Essa instituição atendia crianças africanas que tinham ficado órfãs.  Marciano, estava no segundo empreendimento social, agora aqui no Brasil. Sua ONG atua num bairro chamado Mutirão que fica da periferia de Patos, no Sertão Paraibano.

Marciano atende crianças no contra turno escolar e realiza com suas educadoras sociais crianças e adolescentes com atividades educativas de artes, educação e atividades culturais e esportivas. Em 2009, ele percebe que os assistidos pela organização apresentam uma lacuna no processo de alfabetização e letramento. Então, surge a necessidade de alguém que possa fazer uma formação com as educadoras locais para que elas pudessem alfabetizar o público participante do programa, uma vez que estas não possuíam estratégias para dar conta desta demanda. As professoras eram profissionais habitantes do Mutirão e estudaram o antigo magistério em escolas públicas da região.

Educadoras sociais. Operação Resgate.2009É desta demanda que uma amiga querida me apresenta ao Marciano e eu assumo a formação das educadoras, que consistiu em oficinas de formação, in loco, em que vivenciamos diferentes etapas desde a sondagem para entender quais as características do grupo de educandos, analise dos resultados juntamente com as professoras, grupo de estudo sobre alfabetização e letramento, além da construção de sequências didáticas que pudessem atender a demanda identificada, tudo isso, regado a dinâmicas e atividades de sensibilização que visavam envolver as educadoras enquanto protagonistas de transformação neste contexto.

Ao longo do ano de 2009, o acompanhamento foi realizado e as educadoras locais em poucos meses conseguiram alfabetizar 85% dos educandos atendidos na Operação Resgate. No fim deste ano, realizamos uma espécie de seminário que contou com a equipe da ONG e professores de diferentes escolas da cidade. A equipe de intervenção, além de mim, contou com duas outras psicopedagogas Carol Schiesari e Renata Truffa, e a amiga relações públicas Juliana Noronha. Nasce desta intervenção o programa Acordando Palavras…

Links da Operação Resgate:

http://operationrescue.ch/wp/?lang=en

https://www.facebook.com/operationresce/?__mref=message_bubble

Por que criar este site?

Desde 2009, quando surgiu a proposta intitulada Acordando Palavras, trabalhamos em diferentes ações significativas de intervenções psicopedagógicas em diversos contextos. Trabalhamos com crianças, adolescentes, jovens e adultos educadores. Atuamos na esfera pública e privada. Intervimos em escolas, organizações sociais, como abrigos e ONGs; em lugares geográficos variados como o Pantanal, o Sertão Paraibano e a periferia de São Paulo. Realizamos ações também para além das fronteiras do Brasil em comunidades tradicionais da Cordilheira dos Andes nas cidades de Huánuco e Puno no Peru.

Assim, entendemos que todo este mosaico de atuações diversas nos permitiu vivenciar experiências tão significativas que poderiam contribuir com outros profissionais interessados em atuar para o desenvolvimento de pessoas. Então, começamos a idealizar este site para construir nosso histórico de atuação, compartilhar materiais “inspirativos” para incendiar gentes desejosas por um mundo mais justo e proporcionar um espaço virtual de trocas e divulgação de futuros projetos.

Assim, convidamos você para entrar em nossa “morada virtual” e compartilhar conosco… cremos que essas construções de coletividade só são possíveis na companhia dos outros pares sintonizados em busca de um protagonismo capaz de transformar nossa sociedade.

Seja-bem vindo à nossa casa “Acordando Palavras”…

A Comunidade

Acordando Palavras: o que, como, quando, por quê?

O QUE É

É uma iniciativa que propõe intervenções psicopedagógicas, com o objetivo de proporcionar espaços de aprendizagem significativos nos mais diversos âmbitos, tendo em vista os mais distintos contextos culturais e realidades sociais, visando ao desenvolvimento pessoal dos envolvidos nos aspectos cognitivo, emocional e psicomotor.

COMO COMEÇOU E O PORQUÊ DO NOME 

O nome foi idealizado em 2009, durante a preparação da intervenção psicopedagógica em Patos – PB, na ONG Operação Resgate . Nessa ocasião, tivemos uma equipe de trabalho por duas colegas psicopedagogas Renata Truffa e Carol Schiesari, além da amiga relações públicas Juliana Noronha. Tomadas pela maravilhosa experiência, vislumbramos consolidar um grupo itinerante, fazedor de ações como aquela. Assim surgiu o Acordando Palavras. O poético nome com sobrenome veio de um texto lindo que nos tocou profundamente durante o processo de tecer a intervenção. O autor do texto é o Bartolomeu Campos de Queirós, e tais palavras são…

“Houve o tempo do sonho. No escuro das noites, todos sonharam palavras.Houve o tempo do acordar. Na luz das manhãs, todos acordaram palavras.Depois veio a coragem de presentear. Em cartas lacradas viajaram secretas palavras”.
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Bartolomeu Campos de Queirós
(Apontamentos – Formato Editorial)

JUSTIFICATIVA PARA EXISTIRMOS 

Entendemos que todas as pessoas têm em si habilidades a serem descobertas, desenvolvidas, exercitadas. Que, sabendo ou não ler e escrever, tendo dificuldades, recursos ou não, todos temos palavras a serem despertadas dentro de nós. “E no início era o verbo”… É por meio de palavras que somos, interagimos e atuamos em nosso meio.  Somos todos, em alguma medida, palavras que necessitam ser despertadas.

SOBRE O LOGOTIPO 

A LETRA BASTÃO, ou letra de forma maiúscula, é o primeiro tipo de letra ensinado na escola, bem no início da alfabetização. No ambiente formal, escolar, aprendemos a ler e escrever m inicialmente por meio desta letra. À medida em que nos apropriamos deste modelo, ele vai sendo substituído pela letra CURSIVA, ou letra de mão, sendo esta o modelo manuscrito final ensinado na escola. Assim, achamos que nosso logotipo devia refletir isso: das palavras mais triviais às mais sofisticadas, todas podem e devem ser ACORDADAS. E o sol? Bem, como diz aquela música, “o sol nasce para todos, só não sabe quem não quer”.

O sol é nossa força motriz primordial. Não há vida na terra sem ele. Representa o calor incandescente da vida, o fogo do desejo que temos por um mundo transformado, a luz que clareia o sonho e faz nascer o alimento das plantas, as fogueiras que aquecem rodas de gentes em dias frios… O sol nos pareceu uma boa representação simbólica do que pode ser a essência da vida, do processo criativo e algo capaz de refletir o aprender por meio de intervenções psicopedagógicas significativas.

Para inspirar:

“Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.

— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.

Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.” Eduardo Galeano